Passeio pela vida e obra de Clarice Lispector

Dezembro é o mês de Clarice Lispector. A escritora, presente na memória de muitos leitores, completaria 96 anos se estivesse viva. Por isso,  a autora recebeu  uma homenagem da sua biógrafa e Doutora em Letras pela PUC-RJ Teresa Monteiro através do passeio O Rio de Clarice, realizado desde 2008 no Rio de Janeiro. O passeio começou no local onde se encontra a estátua de Clarice Lispector com o cachorro Ulisses, no Leme, local onde Clarice viveu quando retornou de Washington, nos Estados Unidos.

O objetivo do passeio, segundo a biógrafa era dar uma aula na rua. O que de fato conseguiu, pois os leitores e admiradores de Clarice receberam uma lição sobre a vida e obra de uma das mais célebres escritoras que o país já teve.

O Rio de Clarice foi realizado no dia dez de dezembro, data que marca o nascimento da escritora de romances como Perto do Coração Selvagem e Água Viva. O evento teve a participação da contadora de histórias Mariana Muller, que declamou o livro “Como nascem as estrelas” e do grupo teatral No Palco da Vida dirigindo pelo ator Wall Schneider.   Os atores declamaram trechos das obras “A paixão segundo GH” e “Das vantagens de ser bobo”- ambos escritos por Clarice Lispector.

Os participantes do “Rio de Clarice” tiveram a oportunidade de conhecer os dois prédios onde a escritora morou, inclusive o edifício localizado na rua Gustavo Sampaio, local do incêndio que quase lhe amputou a mão direita. A autora dormiu com o cigarro aceso e teve que passar por cirurgias.

“Neste incêndio sobrou somente o missal (livro de orações) presenteado pela amiga Nélida Helena. Clarice desceu de camisola, que estava grudada à pele. Suas mãos e pernas foram atingidas pelo fogo e a mão direita sofreu graves queimaduras. Os médicos queriam amputá-la, mas uma de suas irmãs pediu para que esperassem mais um dia e depois concluíram que o procedimento não seria mais necessário.”- explicou Teresa.

Outro ponto crucial do passeio foi no restaurante La Fiorentina, local onde Clarice frequentava e ponto de encontro de diversos atores, escritores e jornalistas na época.

“La Fiorentina foi a extensão da casa de Clarice. Esse restaurante ficava aberto até o amanhecer e muitos artistas vinham neste lugar quando terminavam seus espetáculos” – afirmou a biógrafa. No local, as fotos e assinaturas de personalidades que frequentaram o restaurante fazem parte da decoração. Também pode- se encontrar uma estatua do compositor Ary Barroso, outro famoso visitante de outrora.

O Rio de Clarice mostrou todos os olhares de Clarice e sua relação com o bucólico e aprazível bairro do Leme. Seja na banca de jornal onde ela frequentava, conhecida como Sebo do Leme e frequentada também por Nelson Rodrigues, e na praça Almirante Júlio de Noronha, lugar  onde passeava com o cachorro Ulisses.

Clarice atualmente está ganhou uma estátua devido a iniciativa de Teresa Monteiro. A atriz Beth Goulart, que viveu a escritora no teatro, apoiou este projeto e colheu assinaturas através de um abaixo assinado após a sua peça. Sem receber apoio do governo, a iniciativa foi custeada pelo artista Edgar Duvivier, que produziu e vendeu quarenta maquetes da obra para os admiradores de Clarice Lispector.  Infelizmente, a escultura foi alvo de vandalismo, mas no dia do passeio foi restaurada por  Edgar, que  também esculpiu a estátua.

Teresa Monteiro, ressalta a importância de termos uma escultura para celebrar a vida e obra da escritora:

“ Clarice está imortalizada em forma de estatua, então de certa forma ela esta aqui no leme e a sua obra é eterna. Felicidade nossa que ela saiu da Ucrania e veio para o brasil, senão não teríamos Clarice Lispector.”- finaliza.

Biógrafa de Clarice Lispector conta sobre suas obras. Ao lado estátua da escritora inaugurada em maio de 2016.

Biografia de Clarice Lispector

Clarice Lispector nasceu na Ucrania em 1920 e foi batizada como Haia Lispector e depois passou a se chamar Clarice. Chegou ao Brasil em março de 1922 e desembarcou em Maceió. No ano de 1925, os Lispector foram para Recife onde Clarice passou  a  infância e perdeu sua mãe.  Anos depois, sua família se mudou para o Rio de Janeiro e no ano de 1940 ficou órfã de pai.

Escreveu o seu primeiro conto “O Triunfo”, formou-se em direito pela Faculdade Nacional de Direito.  Em 1943 casou-se com o colega de faculdade Maury Gurgel Valente e lançou o primeiro romance Perto do Coração Selvagem; bem recebido pela crítica e vencedor do prêmio Graça Aranha.

Em 1948 nasceu em Berna, seu primeiro filho, Pedro, e em 1953 nasceu nos Estados Unidos o segundo filho, Paulo.  Anos depois, Clarice se separou do marido e retornou ao Rio de Janeiro, com os filhos. Começou  a trabalhar  no Jornal Correio da Manhã, assumindo a coluna Correio Feminino. Em 1960 lançou “Laços de Família”.

Seu último livro foi “Hora da Estrela” em 1977. A versão cinematográfica desse romance, dirigida por Suzana Amaral em 1985, conquistou os maiores prêmios do festival de cinema de Brasília.

Clarice Lispector morreu no Rio de Janeiro, no dia 9 de dezembro de 1977 e decorrência de um câncer de ovário.

 

Por Ana Cláudia Esquiávo – jornalista e escritora

 

Restaurante frequentado por Clarice e diversas personalidades.

 

Estátua de Ary Barroso na entrada do La Fiorentina.

 

Banca de jornal onde Clarice frequentava. No detalhe o primeiro livro infantil da autora ” O Mistério do coelho pensante”.

 

Grupo de teatro No Palco da Vida apresenta o conto “Das vantagens de ser bobo” de Clarice Lispector.

 

2 Responses to Passeio pela vida e obra de Clarice Lispector

  1. Guiomar Cordeiro disse:

    Parabéns para todos que trabalharam enaltecendo as obras e vida de Clarice Lispector. Parabéns jornalista e escritora Ana Cláudia Esquiávo por tão excelente matéria .

  2. Guiomar Cordeiro disse:

    Parabéns para todos que trabalharam enaltecendo as obras e vida de Clarice Lispector. Parabéns jornalista e escritora Ana Cláudia Esquiávo por tão excelente matéria .

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